Domingo, 14 de Junho de 2009

O verdadeiro propósito



Nos últimos dias, tenho trabalhado em um novo plano para minha vida. Cansei de ir à montanha mendigar uma saída e voltar de lá com mãos vazias. O homem da montanha continua com aquela conversa para boi dormir: "Eu lhe dei os talentos agora é com você." Quem ele pensa que sou, algum Warren ou Hybels da vida?

Isso me fez lembrar meu post, do último dia 9 (Improvise, uma vida sem propósito), que gerou uma série de E-mails discordantes. Assim, resolvi escrever uma espécie de desagravo e esclarecimento, pois alguns pontos não ficaram claros.

Não sei se devia entrar em detalhes, afinal esses conhecimentos são segredos que uso para colocar comida em nossa mesa. Enfim, como consultor para ONGs, especializado em organizações ligadas à Igreja Cristã, tenho como tarefa básica ajudar meus clientes a planejar. Nesse cenário, muitas vezes, contribuo com pessoas físicas, ajudando-as a planejar suas vidas, também. Sou absolutamente a favor do planejamento. Minha crítica, mais uma vez, mirava no desvio mercantilista adotado por Warren e seus seguidores obnóxios e oportunistas. Em segundo lugar, mandei uns mísseis aos métodos criados por esse senhor e seus capangas. Por quê? Antes de qualquer coisa, tem o fato dele ser bem sucedido e eu não. Também o invejei por ter sido escolhido para participar da cerimônia de posse do Obama. O máximo que consegui em minha vida de ministro do evangelho (sic) foi ser paraninfo de algumas turmas que ajudei a formar em seminários de terceira, onde lecionei minhas asneiras. Isso incomoda pacas. Depois, de fato, o método dos propósitos criado por ele, devido a sutilezas técnicas, pode gerar monstros terríveis, quando aplicados em contextos diferentes aos dele.

Antes de continuar, quero que todos saibam: tenho aqui ao meu lado um exemplar do livro "Uma Igreja com Propósitos" escrito pelo cara. É um livro imprescindível à biblioteca de qualquer pastor. Acho-o muito bom, especialmente no aspecto didático e devocional. Quando trabalhei em missões para o leste europeu, na época da Cortina de Ferro, ajudei a contrabandear bibliotecas pastorais para pastores radicados naqueles países e sem possibilidade de adquirir qualquer livro. Era um kit básico contendo cerca de cem livros considerados essenciais ao ministério, escolhidos a dedo por uma junta de especialistas respeitáveis. Uma noite, Deus enviou um daqueles anjos impertinentes dele para me perguntar: "Você faz isso em favor dos pastores perseguidos, mas não tem esses livros em sua própria biblioteca. Isso não seria uma grande hipocrisia?" Na manhã seguinte, chamei meu amigo e disse-lhe que desejava adquirir um daqueles kits. Mais tarde ele voltou e me informou que a missão resolvera me doar um. Quando embarquei de volta ao Brasil, sem dinheiro para pagar excesso de bagagem, afinal cem livros pesam um bocado, além do espaço que ocupam, me desfiz de todos meus pertences pessoais e desembarquei em Congonhas com duas malas enormes, cheias de livros e dois ou três presentes para minha esposa. Eles ainda estão comigo. Claro que mantenho o livro do Rick um pouco mais longe desses. Segundo o Borges, não devemos guardar livros conflitantes juntos.

A questão principal é o significado de "propósito". Durante anos, participei de um grupo de Estudos Bíblicos para pastores, coordenado pelo Dr. Russell Shedd. Estudávamos livro a livro do Novo Testamento e, a cada passagem estudada, tínhamos como tarefa construir o (s) esboço (s) de sermão expositivo para ela. Como todos sabem, o esboço de uma exposição bíblica correta começa com um tópico chamado "Proposição", o grande segredo desse método, que não é nada mais nem menos do que o propósito da passagem. Claro que antes disso é preciso descobrir o inicio e o fim de cada texto predicável. Bom, isso é outro tema a ser explorado em algum texto próximo. Para mim, isso deixa muito claro o papel do "propósito", mais genérico, sintetizador e abrangente.

Nos modernos métodos de planejamento, usa-se a palavra "missão" para determinar o escopo do plano, mas poderia ou deveria ser utilizada a palavra "propósito". Toda organização, eclesiástica ou secular, necessita determinar seu propósito, antes de tudo. Isso vale para as pessoas físicas, também. De todas as definições dos dicionários dadas a essa palavra, fico com a seguinte: "aquilo a que alguém se propôs, por que se decidiu; decisão, determinação, resolução". Algumas das definições chegam a ser perversas. Creio que os maiores erros são comparar propósito com projeto e, pior, com objetivo. Podem ser partes de um planejamento, mas tem significados próprios. Para se ter uma idéia, Robert Mager ensina o seguinte: Primeiro você decide aonde ir (propósito) e, depois cria (objetivos) e dispõe os meios (métodos e recursos) para chegar lá, então trata de descobrir se chegou (avaliação). E outro importante ponto ensinado por Mager: Um objetivo é uma afirmação que descreve um resultado. Ele deve incluir, sempre, desempenho, condições e critérios. Em outras palavras, diferentemente do propósito, que deve ser uma afirmação abrangente, o objetivo é específico e deve ser mensurável.

Concordo que essas palavras são escorregadias e podem levar a inúmeras interpretações. Claro que no texto anterior fui sarcástico, sugerindo viver na base do improviso. Na verdade, o improviso de nossas antigas seleções e equipes de futebol, aquelas que venciam sem maracutaias, é um falso improviso. Os jogadores sabem o que (propósito) devem fazer, e como (método) desde quando eram criancinhas. Todo brasileiro sabe, inclusive as mulheres: marcar mais gols (alcançar os objetivos) do que o adversário.

Ih! Falei.

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

E agora meu, vais arrumar grana onde?

Semana passada, a TV Tem, subsidiaria da TV Globo na região, noticiou com ar de triunfo a queda de 70% nas doações das pessoas físicas às ONGs (Organizações Não Governamentais). Vale ressaltar o caráter social da quase totalidade delas. A razão dessa queda se deve, quase essencialmente, ao fato das ONGs terem menosprezado o segmento doador das pessoas físicas. Fizeram pouco por eles e os perderam.

Nos últimos quinze anos, venho pregando no deserto sobre o perigo de sustentar nossos projetos, especialmente os de natureza social, em receitas conquistadas junto ao poder público, seja lá qual for a esfera. Várias razões contribuíam para essa minha peregrinação, a começar do aumento de impostos, geralmente calcados em argumentos contendo promessas de acréscimo do investimento nas áreas social, saúde, esportes e educação, sem esquecer a cultura. Também ressaltava, profeticamente, a possibilidade do país ou até do mundo entrar em crise econômica e estremecer todos os orçamentos dependentes dessas verbas. Afinal, na hora do aperto, será preciso apertar o cinto e cortar as gorduras. Pode parecer meio paradoxal, mas políticos acham, por bem, começar a cortar seus "gastos" justamente nessas áreas.

Nos países do primeiro mundo ou desenvolvidos, as ONGs calcam seus orçamentos em receitas advindas de doações de pessoas físicas, em primeiro lugar. Empresas privadas e públicas costumam aparecer abaixo do terceiro ou quarto lugares na ordem dos melhores doadores, nesses rincões. Por alguma razão por mim desconhecida, no Brasil a busca por verbas governamentais e das empresas privadas vêm ocupando a preferência dos experts em captação de recursos, quando o assunto é planejar essa atividade. De tal forma que as organizações não querem ouvir, sequer, falar no trabalhão de conquistar doadores entre as pessoas físicas e seus métodos complicados, indicados como: Banco de Dados de Pessoas Físicas, a mala direta, o E-mail Direto, etc. Fazer um projetinho baba e mandar para a prefeitura é muito mais fácil. Se bobear, dão uma engraxada nas mãos do presidente do CMDCA ou do secretário envolvido e pronto.

Problema é que eu estava certo, embora não desejasse. A crise chegou, o governo pretende cortar gastos e aumentar impostos. As verbas destinadas às ONGs sérias ou não estão ameaçadíssimas. As empresas privadas (Bancos, indústria automobilística, etc) já estão fazendo os cortes, logicamente, começaram pelas doações.

A alternativa agora é voltar e conquistar o terreno perdido, ou seja, a pessoa física doadora. Pior será desfazer o excelente serviço realizado nos últimos governos, cujo objetivo era desmoralizar as ONGs no gerenciamento das doações advindas das pessoas físicas e, conseqüentemente, diminuir o apoio dado, sobretudo, às igrejas neo-pentecostais, mas também, aos projetos sociais mantidos por elas. Os governos preferem que o dinheiro passe primeiro por eles, sempre. A isso, alguns idiotas acadêmicos chamaram integração governo/cidadão.


Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Uma boa crise





Nos últimos meses, muitos consultores e entendidos têm lembrado da Crise, especialmente, para justificar desempenho insatisfatório por parte das organizações filantrópicas. Pessoalmente, gosto de uma boa crise para motivar nossos trabalhos. Minha experiência demonstra que nesses tempos, as pessoas tornam-se mais solidárias e isso deságua em bom desempenho das organizações.

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Prudência e Ética


Essa semana, alguém me disse que todo o trabalho filantrópico é exploração da miséria e do sofrimento humano.

Talvez você quisesse me dizer para não dar importância a isso. Essas afirmações totalitárias dificilmente procedem. Nosso professor de introdução à filosofia vivia nos alertando para tomar cuidado com as generalizações do tipo todo, toda, sempre, etc.

Outro professor, o de ética dizia: tudo nessa vida se resume na ética.

Se juntarmos os dois ovos, talvez consigamos fazer um bom omelete.

Prudência e ética. Uma boa dupla para se fazer filantropia.

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

O potencial de doação

Bill Gates


Com o fim do carnaval, chegou a hora de começar a trabalhar. Aqui não é diferente.

Quando se monta uma campanha, há uma série de regras a cumprir. Uma delas diz respeito ao público alvo. Precisamos conhecer nossos futuros sustentadores e, principalmente, qual o potencial de doação desse segmento.

Muitas campanhas vão por água abaixo por não observarem essa regra.

Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Agenda lhmbrasil 2009




A agenda lhmbrasil de 2009 começa pela implantação do serviço de apoio aos dependentes químicos denominado A Arte de Recuperar, que incluirá a orientação às famílias atingidas, internações (voluntárias ou não), atendimento ambulatorial, Grupo de apoio aos familiares e amplo Banco de Dados dos serviços disponíveis no território nacional. Os atendimentos deverão ser pré-agendados por telefone ou E-mail Veja aqui. A consulta ao Banco de Dados estará disponível no site do projeto, em breve.


A Arte de Recuperar é uma iniciativa com o propósito de encaminhar todos os interessados segundo suas possibilidades e ao atendimento mais conveniente, caso a caso. Para tanto, atenderemos os interessados, sem compromisso, sempre com hora e dia marcados. Nossa experiência demonstra que, nessa hora, faz-se necessário uma orientação desinteressada e competente. Entretanto, não podemos dispensar a vocação e o compromisso voltado a uma causa. Em nosso caso, estamos engajados na luta pelo resgate de todas as pessoas que foram tragadas por esse mal terrível, dependentes e co-dependentes.

A Arte de Recuperar pretende ser referência destacada em recuperação de dependentes químicos, no que diz respeito a informações concretas e competentes. Nosso trabalho será orientar e encaminhar, antes de tudo.
Além das parcerias já firmadas, a Arte de Recuperar indicará sempre o caminho adequado a cada caso. Consulte sempre a Arte de Recuperar, antes de decidir onde enviar seu filho ou ente querido.

A lhmbrasil continuará a coordenar e desenvolver o Projeto Coração Valente. Em breve, divulgaremos a agenda detalhada do Projeto para esse ano. A grande novidade é que a base de operações passa a ser São Paulo – Capital, a partir de agora. Solicite informações por E-mail, se desejar.


Os serviços da lhmbrasil em consultoria de desenvolvimento (relações públicas e captação de recursos) continuarão a todo vapor. Nossa meta é ampliar nosso Portfólio de Clientes acrescentado mais organizações comprometidas com causas excepcionais e dispostas a sustentar seus propósitos com contribuições de pessoas físicas e redes sociais.

Em 2009, novos encontros de Desenvolvimento acontecerão. Logo divulgaremos as primeiras datas. Fique atento. Entre em contato com a lhmbrasil agora, se desejar.

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

O encontro (09-12-08)

Fiquei extremamente feliz com tudo. Cada rosto presente, as mini palestras, os apartes, o local, enfim, tudo me emocionou. Dizem que a velhice faz isso. Não creio, nesse caso. Pelo jeito os dois companheiros sentiram também e isso me leva a crer que foi emocionante, de fato.

Falhei imensamente na parte da informática, logo eu, considerado nos sete mares um craque na área. Viram como é fácil enganar a muitos por algum tempo? Isso repete um script antigo de minha vida. Não tenho fotos, filmes ou qualquer outra prova visual do meu casamento na igreja. No dia, uma sucessão de imprevistos levou a isso. Ontem foi igual. Esqueci a câmera fotográfica digital em cima da mesa de trabalho aqui. A rede, no local, não permitiu a transmissão e não sei se devido a algum bloqueio dela, ou o notebook que levei não suportou a demanda. Não era um top, mas também não era nenhum dinossauro. Não sei o que houve, ainda. Para completar, meu celular é tão primário que não faz fotos e nem GPS tem.

Em compensação, você não acreditaria se visse e ouvisse o que foi falado lá. Volney, Adiron e Andrezza exageraram no direito de competência e fizeram um lindo trabalho, e foi muito legal e o oportuno o Adiron ter cedido parte do trabalho à Andrezza. Todos desejavam isso. Quando chegou a minha vez, juro que fiquei com vontade de dizer: "Pessoal, era isso que tínhamos a conversar" e encerrar, pois tudo estava brilhantemente dito. Para não parecer um mal agradecido, tentei fechar amarrando tudo. As conversas se desenrolaram durante a exposição dos temas e no final. Foi muito bom ouvir de gente tão importante argumentos que demonstram claramente como não enlouqueci e nem estou tão ultrapassado, ainda.

Concordamos sobre a necessidade de enfatizar a pessoa, o ser humano, antes de mais nada. Doar ou participar é um ato exclusivo. Nossa ética e direito devem ater-se a comunicar nossos projetos e angariar amigos para eles. As pessoas decidirão se devem ou não enfiar a mão no bolso. Aprendemos a essência do Fundraising, a arte de construir um banco de dados correto, ouvimos de um caso concreto e o que a eleição de Obama pode nos ensinar em termos de desenvolvimento.

Vamos dar continuidade a essa idéia. Imaginei pular as festas e voltar à carga depois. Mas o Volney está certo, vamos em frente! Nossa agenda deve começar em janeiro, com quem estiver disponível. Tratarei com ele a elaboração da agenda e divulgarei, assim que estiver pronta. Trataremos de corrigir nossos erros, nos próximos. Convidaremos alguém competente em informática, de fato. Bem que eu chamei o Luis F. Batista, mas ele não pode deixar o trabalho dele.

Espero encontrar em breve todos os que desejaram participar e não puderam. De qualquer forma todos merecem meu agradecimento, os que foram e se emocionaram e os que virão no futuro.